Experimento realizado na Austrália conseguiu reduzir significativamente um biofilme bacteriano associado à periodontite e abre perspectivas para futuras abordagens terapêuticas.
Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade La Trobe, na Austrália, identificou uma possível estratégia para interferir na organização de comunidades bacterianas relacionadas à periodontite.
O estudo, publicado em setembro de 2026 no Journal of Oral Microbiology, investigou a utilização de um bacteriófago, tipo de vírus capaz de infectar determinadas bactérias.
O experimento apresentou resultados expressivos em ambiente laboratorial, embora a técnica ainda não esteja disponível como tratamento odontológico.
Redução superior a 90%
Os pesquisadores utilizaram o bacteriófago FNU1, que infecta seletivamente a bactéria Fusobacterium polymorphum.
Nos modelos laboratoriais formados por quatro espécies bacterianas associadas à doença periodontal, a exposição ao vírus provocou redução de 94,2% na densidade total de células bacterianas.
A biomassa do biofilme também apresentou redução de 60%.
O resultado sugere que atingir uma espécie importante para a organização da comunidade microbiana pode afetar outras bactérias presentes no mesmo ambiente.
O que isso significa para a Odontologia?
A periodontite é uma doença inflamatória que pode provocar perda óssea e comprometer os tecidos de sustentação dos dentes.
Seu tratamento envolve o controle do biofilme bacteriano e o acompanhamento periodontal.
A utilização de bacteriófagos representa uma linha experimental de investigação que poderá contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias no futuro.
Entretanto, os resultados foram obtidos exclusivamente em laboratório, com uma comunidade bacteriana simplificada.
Ainda são necessários estudos para avaliar segurança e eficácia em condições clínicas.
Até que novas evidências estejam disponíveis, os tratamentos periodontais estabelecidos continuam sendo a referência para o atendimento dos pacientes.
Fonte: APCD Jornal, 8 de outubro de 2026, com base em estudo publicado no Journal of Oral Microbiology.