Novas recomendações internacionais colocam em discussão práticas tradicionais de radioproteção, mas profissionais brasileiros precisam observar as exigências sanitárias vigentes.
Durante décadas, o avental de chumbo tornou-se um dos principais símbolos de proteção durante a realização de radiografias odontológicas. Entretanto, avanços tecnológicos e novas evidências científicas têm provocado mudanças nas recomendações internacionais.
Entidades como a American Academy of Oral and Maxillofacial Radiology e a American Dental Association passaram a questionar a necessidade de utilização rotineira de determinadas proteções de contato em exames odontológicos modernos.
O assunto voltou a ganhar destaque em outubro de 2026, diante das discussões sobre atualização dos protocolos de radioproteção.
Por que as recomendações mudaram?
A evolução dos equipamentos radiográficos, a utilização de sensores digitais e a otimização das técnicas de aquisição de imagens contribuíram para reduzir a exposição à radiação em muitos procedimentos.
Estudos também indicam que, em determinadas situações, o posicionamento inadequado de protetores pode interferir na imagem e provocar a necessidade de repetição do exame.
As recomendações internacionais passaram, portanto, a dar maior ênfase à indicação adequada do exame, à redução da dose e à qualidade técnica da imagem.
E o que vale no Brasil?
Apesar das mudanças internacionais, os cirurgiões-dentistas brasileiros devem observar as normas sanitárias e de radioproteção aplicáveis aos seus serviços.
Recomendações publicadas por entidades estrangeiras não revogam automaticamente exigências estabelecidas pela legislação brasileira.
A avaliação deve considerar o tipo de exame, os equipamentos utilizados e as condições específicas do paciente.
Segurança continua sendo prioridade
A discussão não significa que o chumbo tenha perdido sua capacidade de bloquear radiação.
O debate envolve a necessidade e a efetividade do uso rotineiro de determinadas proteções nos exames contemporâneos.
Para os profissionais, a atualização científica e o cumprimento das normas nacionais são fundamentais para garantir exames seguros e clinicamente justificados.
Fonte: APCD Jornal, 9 de outubro de 2026, com análise de recomendações internacionais e regulamentação brasileira.