Câncer de lábio causa efeitos na saúde e na estética da boca

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), em São Paulo,  a estimativa é que atinjam 2800 casos de câncer de lábio em 2026. Já em todo o país os números podem chegar a 10.880.

O câncer de lábio é uma condição séria que traz impactos significativos tanto para a saúde quanto para a estética e para a funcionalidade bucal do paciente, podendo afetar a fala, a mastigação, a deglutição e a autoestima devido à perda de tecidos.

O secretário da Câmara Técnica de Estomatologia  do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Yuri Kalinin, alerta que os primeiros sinais que a pessoa deve se atentar são feridas ou úlceras que não cicatrizam em até 15 dias. Também é importante observar se há manchas vermelhas, esbranquiçadas ou mais escuras nos lábios ou na cavidade oral, lesões que sangram com facilidade ou que apresentam bordas irregulares e endurecidas, nódulos ou caroços semelhantes a verrugas, perda de linha de limite visível entre o vermelhão do lábio e a pele do rosto.

O cirurgião-dentista afirma que, em estágios mais avançados, o tumor pode causar nódulos no pescoço (ínguas), rouquidão persistente, sensação de algo preso na garganta e dificuldade para falar, mastigar ou engolir.

Para evitar complicações, o Dr. Yuri explica que deve ser feita uma identificação precoce por um profissional cirurgião-dentista que fará a avaliação da boca, apalpando os lábios e bochechas.

“Os fatores de risco estão amplamente ligados ao estilo de vida e a fatores genéticos e ambientais como exposição excessiva ao sol (radiação ultravioleta) sem proteção, sendo esta a principal causa do câncer de lábio”, esclarece o especialista.

Trabalhadores que atuam expostos ao sol, como agricultores e pescadores, devem ampliar os cuidados para evitar o câncer labial. Da mesma forma, o Dr. Yuri destaca os impactos do tabagismo e do consumo de álcool na incidência da doença. Devem ser considerados, também, os fatores biológicos e genéticos, que podem ser em relação à infecção pelo vírus HPV (tipo 16), ao envelhecimento (maior incidência em pessoas de pele clara acima de 40 anos), ao histórico familiar de câncer de pele ou ao sistema imunológico enfraquecido (indivíduos imunossuprimidos).

De acordo com o cirurgião-dentista é possível evitar o câncer de lábio por meio da adoção de hábitos saudáveis e da redução da exposição aos fatores de risco.

 As principais formas de prevenção são: usar protetor solar labial com FPS (fator 15 ou superior) diariamente, especialmente em dias de sol intenso; utilizar barreiras físicas, como chapéus de abas largas, ao se expor ao sol; evitar a exposição solar direta nos horários críticos, entre 10h e 16h.

Cura 

Segundo dados de 2024 do National Cancer Institute dos Estados Unidos, 90% a 100% dos casos de câncer de lábio podem ser curados. O Dr. Yuri destaca que, quando o diagnóstico é feito precocemente e o tumor ainda está localizado, sem ter se espalhado para outras áreas do corpo, as chances de cura são maiores.

Papel da Odontologia 

O profissional finaliza esclarecendo que o cirurgião-dentista é habilitado para realizar o diagnóstico de neoplasias malignas (cânceres) e pode participar da equipe multiprofissional que realizará o tratamento, que inclui oncologistas e médicos cirurgiões de cabeça e pescoço.

Informações: CROSP