Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo: CROSP destaca a importância da inclusão na Odontologia

No dia 2 de abril, celebra-se o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, data estabelecida pela ONU em 2007. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma disfunção do desenvolvimento, de origem multifatorial, predominantemente genética ou epigenética, que se manifesta ainda na infância.

De acordo com o Censo Demográfico 2022 do IBGE, o Brasil conta com 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA, o que corresponde a 1,2% da população. A prevalência é maior entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%), e o pico de diagnóstico ocorre na infância, especialmente entre meninos de 5 a 9 anos, com uma taxa de 3,8%. O diagnóstico é feito por neuropediatras e psiquiatras.

A cirurgiã-dentista Dra. Adriana Zink, especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais, explica que indivíduos com TEA frequentemente apresentam dificuldades de comunicação verbal e não verbal, o que pode incluir dificuldades em manter uma conversa, compreender gestos, expressões faciais e expressar necessidades e emoções. Além disso, esses indivíduos podem ter dificuldades em entender normas sociais, fazer amizades e, muitas vezes, evitam o contato visual, o que torna a interpretação das emoções dos outros desafiadora.

Em pacientes com TEA, podem ser observados comportamentos como o alinhamento de objetos, a repetição de palavras ou frases e o seguimento de rotinas rígidas. Mudanças na rotina podem causar desconforto e reações emocionais intensas. Muitos também apresentam interesses restritos, com foco intenso em uma atividade ou assunto específico. A hipersensibilidade sensorial é outra característica, com reações extremas a estímulos como luzes, sons e texturas, seja por hipersensibilidade ou hipossensibilidade.

A Dra. Adriana ressalta que as características do TEA variam significativamente entre os indivíduos, e o transtorno é classificado em níveis de suporte 1, 2 ou 3.

“A identificação precoce é crucial para intervenções eficazes que podem melhorar a qualidade de vida e promover o desenvolvimento da autonomia”, afirma.

Desafios no tratamento

O cirurgião-dentista enfrenta desafios específicos ao tratar pacientes com TEA, pois cada caso exige abordagens individualizadas. O profissional especializado é capaz de identificar as necessidades do paciente e realizar as adequações necessárias para o atendimento. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de sedação ou a realização de atendimentos em ambiente hospitalar. Para casos mais simples, uma comunicação assertiva pode ser suficiente. “

O odontopediatra precisa ter um conhecimento básico sobre o TEA, porque crianças sem diagnóstico não irão procurar um especialista em Odontologia para pacientes com necessidades especiais”, alerta a Dra. Adriana.

Comunicação no atendimento odontológico

O uso de materiais estruturados, como pistas visuais e figuras, é uma estratégia eficaz quando há comprometimentos cognitivos, dificuldades de comunicação ou de processamento sensorial. Esses recursos visuais ajudam a aumentar a autonomia e reduzem a ansiedade durante o atendimento. Eles incluem sequências visuais de atividades, rotinas diárias e cartões com imagens que representam ações, objetos ou locais.

A Dra. Adriana explica que muitos indivíduos com TEA processam informações visuais com mais facilidade do que informações verbais

. “Figuras e vídeos funcionam como mediadores na comunicação e na aprendizagem. Iniciativas clínicas e educativas, como a odontologia inclusiva e o uso de pistas visuais estruturadas, têm ampliado as possibilidades de acesso ao cuidado para pacientes com TEA , conclui.

É essencial capacitar as equipes de atenção primária para o acolhimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A data de 2 de abril é uma oportunidade para promover a conscientização, diminuir preconceitos e facilitar o acesso à saúde bucal para essas pessoas. O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) reforça a importância de uma atenção especial nos atendimentos odontológicos destinados a pacientes com TEA.

Informações: CROSP