Novo consenso internacional reforça papel do dentista na descoberta precoce do câncer de boca

Um novo consenso elaborado por especialistas de 12 países da América Latina e do Caribe reforça a importância do cirurgião-dentista na identificação precoce do câncer de boca. O documento reúne sete recomendações destinadas a melhorar a prevenção, o rastreamento e o diagnóstico da doença na região.

O trabalho foi elaborado por 24 especialistas e publicado em setembro no periódico científico Oral Oncology. A iniciativa busca enfrentar um dos principais problemas relacionados ao câncer de cavidade oral: muitos pacientes ainda chegam aos serviços especializados quando a doença já se encontra em estágio avançado.

Para os profissionais da Odontologia, uma das principais mensagens é a importância de incorporar de maneira sistemática a avaliação dos tecidos moles da boca durante o atendimento odontológico.

Dentista ocupa posição estratégica

Diferentemente de muitos outros profissionais da saúde, o cirurgião-dentista examina rotineiramente a cavidade oral e estruturas da região orofacial.

Essa característica coloca o profissional em uma posição estratégica para perceber alterações que, muitas vezes, ainda não provocaram sintomas importantes ou sequer foram percebidas pelo paciente.

Entre os sinais que merecem investigação estão feridas que não cicatrizam, alterações persistentes de cor na mucosa, áreas endurecidas e sangramentos sem causa aparente.

Lesões que permanecem por mais de duas semanas também merecem atenção e avaliação profissional.

Isso não significa que toda alteração seja câncer. Diversas condições benignas podem provocar lesões semelhantes. O ponto central é justamente não ignorar alterações persistentes.

Quatro frentes de atuação

As recomendações elaboradas pelos especialistas estão organizadas em quatro grandes áreas.

A primeira envolve a prevenção e a redução de fatores de risco reconhecidos, incluindo tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e exposição solar sem proteção, especialmente em relação às lesões de lábio.

Outra frente está relacionada ao exame clínico da cavidade oral e à identificação das pessoas que precisam de investigação complementar.

O consenso também defende fluxos mais eficientes para que pacientes com alterações suspeitas sejam encaminhados aos serviços especializados sem atrasos desnecessários.

Por fim, os especialistas destacam a importância da vigilância em saúde e do acesso aos exames necessários para confirmação do diagnóstico e início do tratamento.

Diagnóstico precoce faz diferença

O câncer de boca pode atingir diferentes estruturas da cavidade oral, como língua, gengiva, assoalho da boca, palato e mucosa das bochechas, além dos lábios.

Por isso, a consulta odontológica não deve ser encarada apenas como um momento destinado à avaliação dos dentes.

O exame completo da boca permite que o cirurgião-dentista identifique alterações nos tecidos e determine se existe necessidade de acompanhamento, investigação ou encaminhamento.

O novo consenso latino-americano reforça justamente essa atuação preventiva.

Para os profissionais, fica o alerta para a importância de manter a avaliação dos tecidos moles integrada à rotina clínica e registrar adequadamente alterações encontradas durante o atendimento.

Para os pacientes, a recomendação é igualmente importante: alterações persistentes na boca não devem ser ignoradas e precisam ser avaliadas por um profissional.