Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pode abrir um novo caminho para reduzir a formação de biofilmes bacterianos em implantes de titânio utilizados em procedimentos médicos e odontológicos.
A proposta modifica a superfície da liga de titânio por meio da incorporação de cobre e prata, elementos conhecidos por suas propriedades antimicrobianas, utilizando também processamento a laser.
A tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento e precisa passar por validações biológicas antes de uma eventual utilização clínica, mas os resultados abrem uma perspectiva interessante principalmente para áreas que utilizam implantes.
Biofilme representa desafio nos implantes
O titânio é amplamente empregado na área da saúde devido às suas propriedades mecânicas e à sua utilização em dispositivos implantáveis.
Entretanto, a contaminação bacteriana durante ou depois de um procedimento cirúrgico pode favorecer a formação de biofilmes na superfície do material.
Essas estruturas são comunidades de microrganismos aderidas a uma superfície e envolvidas por uma matriz que pode dificultar seu controle.
Na Odontologia, o combate às infecções relacionadas aos implantes representa uma preocupação permanente, tornando o desenvolvimento de superfícies capazes de dificultar a proliferação bacteriana uma importante linha de pesquisa.
Cobre, prata e laser
A estratégia desenvolvida pela equipe da Unicamp procura modificar somente a camada externa da liga de titânio.
Primeiramente, uma fina camada de cobre é depositada sobre o material. Posteriormente, parte desse cobre é substituída por prata.
Na etapa seguinte, entra o processamento a laser.
O laser funde uma fina camada superficial e permite que cobre e prata sejam incorporados ao titânio, criando uma ligação entre os materiais.
A proposta é preservar as propriedades mecânicas internas da liga enquanto se modifica justamente a região que terá contato com o ambiente biológico.
Outra vantagem estudada pelos pesquisadores é diminuir o risco de desprendimento da camada superficial.
Tecnologia ainda não está disponível para pacientes
Apesar do potencial, é importante destacar que a pesquisa ainda não representa um novo implante disponível comercialmente.
A próxima etapa envolve justamente avaliar se a superfície modificada apresenta o efeito antibacteriano esperado em condições biológicas.
Os pesquisadores também precisam determinar quais concentrações oferecem melhor desempenho e avaliar possíveis efeitos da técnica sobre o próprio material.
Isso inclui investigar características como corrosão, formação de trincas e comportamento da superfície.
Pesquisa pode beneficiar a Implantodontia no futuro
Caso a eficácia e a segurança sejam demonstradas nas próximas etapas, tecnologias semelhantes podem contribuir futuramente para o desenvolvimento de materiais com maior capacidade de resistir à colonização bacteriana.
Para a Implantodontia, pesquisas desse tipo são particularmente relevantes porque mostram que a evolução dos implantes não depende apenas do formato ou das propriedades mecânicas dos dispositivos.
A superfície que entra em contato com os tecidos e com o ambiente bucal também representa um campo importante de inovação.
O desenvolvimento da Unicamp está protegido por pedido de patente e busca parceiros para avançar nas etapas de testes e eventual transferência da tecnologia.
Até que essas etapas sejam concluídas, entretanto, os cuidados clínicos tradicionais de prevenção e controle das infecções continuam fundamentais no acompanhamento dos pacientes submetidos a tratamentos com implantes.