SUS prepara mudança na fabricação de próteses dentárias e abre espaço para impressoras 3D

Medida anunciada pelo Ministério da Saúde permite incorporar scanners intraorais, softwares e impressão tridimensional aos laboratórios públicos, além de prever incentivos financeiros para modernização dos serviços.

A tecnologia digital está ganhando espaço na Odontologia pública brasileira. Uma atualização nas regras de financiamento dos Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias (LRPDs), pactuada pelo Ministério da Saúde em julho de 2026, abre caminho para a utilização de scanners intraorais, impressoras 3D e softwares especializados na produção de próteses oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa representa uma mudança na organização dos serviços, permitindo que os laboratórios incorporem processos digitais à rotina de produção e ampliem as possibilidades de modernização da assistência odontológica.

A medida foi discutida durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), realizada em Porto Alegre, e integra ações de fortalecimento da Política Nacional de Saúde Bucal, conhecida como Brasil Sorridente.

Laboratórios poderão receber incentivo adicional

Uma das principais novidades envolve o financiamento dos laboratórios que incorporarem o fluxo digital à produção de próteses dentárias.

Segundo o Ministério da Saúde, os estabelecimentos que adotarem as tecnologias previstas poderão receber um acréscimo de 30% no valor mensal de custeio, conforme os critérios estabelecidos na regulamentação.

A atualização também contempla a criação de seis códigos de procedimentos específicos para o fluxo digital, permitindo registrar atividades relacionadas às novas técnicas.

A medida não significa que todos os laboratórios passarão imediatamente a utilizar impressoras 3D, mas estabelece condições para que a modernização seja incorporada gradualmente aos serviços.

Como funciona a produção digital?

Na Odontologia convencional, a fabricação de próteses pode envolver moldagens físicas, modelos de gesso e diferentes etapas laboratoriais.

Com a utilização de recursos digitais, parte desses processos pode ser realizada por meio de escaneamento, planejamento em softwares e fabricação assistida por computador.

As impressoras 3D permitem produzir determinados modelos, componentes e dispositivos odontológicos, dependendo dos materiais e equipamentos utilizados.

Entre as possíveis vantagens estão a padronização de etapas, a organização do fluxo de trabalho e a redução de determinados procedimentos manuais.

Entretanto, os resultados dependem da capacitação das equipes, da infraestrutura disponível e da correta indicação das tecnologias.

Brasil produz cerca de 1,2 milhão de próteses por ano pelo SUS

De acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde disponibiliza aproximadamente 1,2 milhão de próteses dentárias anualmente.

O número evidencia a importância da reabilitação oral dentro das políticas públicas, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades de acesso ao tratamento odontológico.

A ausência de dentes pode comprometer a mastigação, a alimentação, a comunicação e a autoestima.

Nesse contexto, ampliar a capacidade de atendimento e modernizar a produção de próteses são estratégias que podem contribuir para melhorar a assistência à população.

Atendimento a populações vulneráveis também está previsto

Além das mudanças tecnológicas, a atualização contempla incentivos voltados à equidade no atendimento.

A proposta considera a ampliação do acesso às próteses dentárias por povos e comunidades tradicionais e pessoas em situação de rua.

Outro avanço é a formalização da Rede de Atenção à Saúde Bucal dentro da Rede de Atenção à Saúde do SUS, reforçando a integração entre os diferentes níveis de atendimento.

Tecnologia exige qualificação profissional

A incorporação de ferramentas digitais também amplia a necessidade de atualização dos cirurgiões-dentistas e técnicos envolvidos na produção de próteses.

O conhecimento sobre escaneamento, planejamento virtual, materiais e processos de fabricação torna-se cada vez mais relevante para a Odontologia contemporânea.

Apesar dos avanços, a tecnologia não substitui o planejamento clínico nem a avaliação individualizada dos pacientes.

A modernização dos laboratórios públicos representa uma oportunidade para aproximar os recursos digitais da realidade do SUS, desde que acompanhada de investimentos, formação profissional e controle de qualidade.

 

Fonte: Ministério da Saúde, comunicado oficial sobre a pactuação de próteses dentárias digitais e a Rede de Atenção à Saúde Bucal.