Estudo acompanhou 126 restaurações durante 18 meses e investigou se uma etapa adicional de preparação da dentina realmente melhora os resultados dos tratamentos.
Uma pesquisa brasileira publicada em setembro de 2026 no Journal of Dentistry trouxe novos elementos para a discussão sobre a durabilidade das restaurações odontológicas. O trabalho avaliou se o jateamento da dentina com partículas de óxido de alumínio, realizado antes da aplicação do adesivo, poderia melhorar o desempenho clínico de restaurações em resina composta.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), com participação de profissionais da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Pesquisa acompanhou pacientes durante 18 meses
Participaram da investigação 63 pacientes, totalizando 126 restaurações em lesões cervicais não cariosas, caracterizadas pela perda de estrutura dentária próxima à gengiva.
Os pesquisadores compararam restaurações realizadas com um protocolo adesivo convencional e outras que receberam uma etapa adicional de jateamento da dentina.
Ao final do acompanhamento, as taxas estimadas de retenção foram de 96,7% no grupo sem jateamento e 90,3% no grupo submetido à técnica adicional.
Apesar da diferença numérica, a análise estatística não identificou diferença significativa entre os procedimentos.
Resultado reforça importância das evidências científicas
A pesquisa não demonstrou benefícios clínicos significativos da inclusão rotineira do jateamento nas condições avaliadas.
Isso não significa que todas as modalidades de abrasão dentinária sejam ineficazes, mas indica que a adoção de etapas adicionais precisa ser fundamentada em evidências clínicas.
Para os cirurgiões-dentistas, o estudo reforça a importância de acompanhar a literatura científica e avaliar cuidadosamente os benefícios de novas técnicas antes de incorporá-las à rotina profissional.
Fonte: APCD Jornal, 13 de outubro de 2026, com base em ensaio clínico publicado no Journal of Dentistry