Sintoma que afeta milhões de brasileiros pode ter relação com alterações na articulação temporomandibular e merece investigação multidisciplinar
O zumbido no ouvido é um sintoma frequentemente associado a alterações auditivas, mas suas possíveis relações com a Odontologia vêm ganhando atenção. Uma publicação recente do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) destacou a possibilidade de associação entre o zumbido, a Disfunção Temporomandibular (DTM) e o bruxismo.
Segundo informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, o zumbido é uma percepção sonora sem uma fonte externa correspondente e pode se manifestar como chiado, apito, cigarra, cachoeira ou outros sons. O órgão estima que o sintoma ocorra em aproximadamente 25 a 28 milhões de pessoas no Brasil.
O que é o zumbido?
O zumbido, também conhecido como tinnitus, não é considerado uma doença específica, mas um sintoma que pode apresentar diferentes causas.
Ele pode aparecer de forma ocasional ou persistente e variar bastante de intensidade.
Alguns pacientes percebem o som principalmente em ambientes silenciosos, enquanto outros convivem com o sintoma durante boa parte do dia.
Por possuir múltiplas causas possíveis, a investigação precisa considerar diferentes aspectos da saúde do paciente.
Onde entra a Odontologia?
A relação com a Odontologia aparece principalmente quando o paciente apresenta alterações na articulação temporomandibular ou nos músculos responsáveis pelos movimentos da mandíbula.
A DTM pode provocar dor na região da face, dificuldade para movimentar a mandíbula, estalos, limitação de abertura da boca e outros sintomas.
Em alguns pacientes, manifestações auditivas também podem estar presentes.
O CROSP destacou justamente essa possibilidade de relação entre zumbido, DTM e bruxismo em publicação voltada à orientação profissional.
Bruxismo também merece atenção
O bruxismo é caracterizado pelo apertamento ou ranger dos dentes e pode ocorrer durante o sono ou enquanto a pessoa está acordada.
A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde relaciona o bruxismo a manifestações como zumbido, dores e estalos ao abrir e fechar a boca.
O excesso de atividade muscular e a sobrecarga das estruturas do sistema mastigatório podem contribuir para o aparecimento ou agravamento de sintomas.
Por isso, a identificação do bruxismo pode fazer parte da avaliação de pacientes que apresentam queixas relacionadas à região mandibular.
Nem todo zumbido tem origem odontológica
É importante evitar uma interpretação simplificada.
O fato de DTM e bruxismo poderem estar relacionados ao zumbido não significa que todo paciente com tinnitus apresente um problema odontológico.
O próprio Ministério da Saúde destaca que o zumbido possui múltiplas causas.
Entre os fatores que podem estar relacionados ao sintoma estão alterações auditivas, exposição a ruídos, uso de determinados medicamentos e outras condições de saúde.
Por isso, a avaliação odontológica deve integrar uma investigação mais ampla quando houver sinais compatíveis.
Importância da avaliação clínica
Para o cirurgião-dentista, a presença de zumbido associada a dor facial, estalos na articulação, dificuldade para abrir a boca ou sinais de bruxismo pode justificar uma investigação mais detalhada do sistema mastigatório.
A anamnese é fundamental para identificar quando os sintomas começaram, sua frequência, intensidade e possíveis fatores associados.
O exame clínico também permite avaliar músculos, articulações, movimentos mandibulares, desgaste dentário e outros sinais relacionados à DTM e ao bruxismo.
Trabalho multidisciplinar pode ser necessário
A avaliação de um paciente com zumbido pode envolver diferentes profissionais de saúde.
Dependendo das características do quadro, o acompanhamento pode envolver cirurgião-dentista, otorrinolaringologista, fisioterapeuta e outros profissionais.
Essa abordagem é especialmente importante quando existem sintomas simultâneos em diferentes sistemas.
O objetivo é evitar que uma possível causa seja atribuída automaticamente a apenas uma especialidade.
Diagnóstico deve preceder o tratamento
Outro ponto importante é que o tratamento deve ser definido a partir da causa ou dos fatores associados ao problema.
Não existe uma única abordagem capaz de resolver todos os casos de zumbido.
Quando existe DTM ou bruxismo associado, o profissional deve avaliar individualmente o paciente e determinar quais medidas são adequadas.
O Ministério da Saúde também ressalta que o bruxismo deve ser avaliado profissionalmente para que seja definida a melhor estratégia de controle.
Atenção aos sinais associados
Para o paciente, alguns sinais podem indicar a necessidade de procurar avaliação profissional:
- zumbido persistente;
- dor na região da mandíbula;
- estalos ao abrir ou fechar a boca;
- dificuldade de movimentação mandibular;
- dores de cabeça associadas;
- desgaste acentuado dos dentes;
- sensação de pressão ou desconforto na região próxima ao ouvido;
- hábito frequente de apertar ou ranger os dentes.
A presença desses sinais não significa necessariamente que exista DTM ou bruxismo, mas pode justificar uma avaliação clínica.
Odontologia amplia olhar sobre sintomas orofaciais
A discussão sobre zumbido reforça a importância de uma Odontologia cada vez mais integrada às demais áreas da saúde.
O cirurgião-dentista não deve olhar apenas para dentes e gengivas, mas compreender o funcionamento do sistema estomatognático e suas relações com músculos, articulações e estruturas próximas.
Nesse contexto, reconhecer possíveis manifestações associadas à DTM e ao bruxismo pode contribuir para encaminhamentos mais adequados e para uma investigação mais completa do paciente.
O tema também reforça a importância da atuação conjunta entre diferentes profissionais para melhorar o diagnóstico e a qualidade do cuidado.